segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Cresci...

Vou dar outro rumo a essa história, e se alguém tiver curiosidade de saber as entrelinhas disso tudo, terei o prazer de postar depois. Mas ainda é doloroso reportar tudo isso da minha memória.

Cresci e a vida continuou da mesma forma... do mesmo jeito não, talvez pior. Era um jovem adolescente que não sabia o que o futuro lhe aguardava. Cheio de medos e receios, e sem nenhuma esperança de superar tudo o que havia ocorrido até aqui.
Mas algo mudou... saí do interior aos meus 19 anos... novo capitulo da minha vida.

domingo, 11 de julho de 2010

Perseguição...

Dias se passaram após o acontecido com meu tio, e não mais voltei à casa da minha avó. Medo e receio de alguém ter ficado sabendo do episódio, e também fiquei com certo "nojo" daquele que era para mim uma pessoa a quem eu devia respeito. Minha cabeça estava confusa e sem ter como buscar ajuda de ninguém, o que era pior. Tentei esquecer o episódio e continuar minha vida como se nada estivesse acontecido. Tinha medo de ficar perto e das brincadeiras aparentemente inocentes. No entando, dias depois ele voltou a me procurar, e nos mínimos momentos em que ficávamos a sós, se insinuava e me ameaçava. Novamente conseguiu me arrastar para um local no meio do mato para novamente eu presenciar a mesma cena de antes. Só que agora, começou a se esfregar em mim, mandando que eu calasse a boca e não fizesse o mínimo barulho. Foi o ínicio de uma grande sequência de vezes em que fui aliciado pelo meu próprio tio materno, sem o mínimo de preocupação com a criança no qual eu era e quais as consequências que iria ter para minha vida aquelas atitudes.

Furtado da própria inocência...

Um dia, em uma das idas a casa da minha avó, quando cheguei lá, ela nem minha tia estavam em casa. Nessa época tinha 8 anos e sentei embaixo de um pé de castanha e fiquei a esperar que alguem aparecesse. Não demorou muito, chegou meu tio mais novo, que na época deveria ter seus 22 anos e disse que minha avó tinha saído e ia demorar um pouco chegar e ficou ali conversando comigo. Em certo momento, ele me chamou para ajudá-lo a encontrar uma ferramenta dentro de uma parte da casa que não havia ninguem morando, e inocentemente fui ajudar na busca. Ao chegar ao local onde era o quarto da casa, meu tio me perguntou se eu sabia o que era "porra", e eu disse que não, e logo me disse que iria me mostrar para que eu conhecesse. Achei um tanto estranho e não entendi muito bem aquela situação, mas fiquei ali parado encostado na parede. Ele tirou o seu pênis para fora, e começou a se masturbar na minha frente e pedia pra eu ficar tocando nele. Tentei sair correndo e ele me agarrou pelo braço e disse que dali eu não saia enquanto ele não acabasse. Não ficou satisfeito, me agarrou pela cabeça e começou a esfregar o seu "pau" na minha boca. Nada pude fazer, pois estávamos sozinhos e ninguem ouvia meu pedido de ajuda. Ele "gozou" ali no chão e ainda pediu para que eu passasse a mão para ver como era. Fiquei em estado de choque, sem reação, pois nunca havia visto algo naquele aspecto. Disse a ele que iria contar para minha avó quando ela chegasse e ele me disse que caso eu contasse eu não teria idéia do que iria acontecer comigo. Assustado naquele dia, saí correndo e fui pra casa. Nunca contei para ninguém o que aconteceu.

Como tudo começou

Sou do interior do Estado do Espírito Santo, nasci em uma cidadezinha a mais ou menos 300 km da capital ( onde resido hoje). Desde muito cedo, me sentia diferente de tantas outras crianças com as quais convivia. Sempre fui uma criança muito tímida e me escondia atrás de alguém que pudesse me dar sempre o mínimo de segurança. Em casa, superprotegido pela mãe e na escola pela tia que tinha quase minha idade, que não permitia que ninguém se aproximasse da criança "indefesa" que me tornara. Nunca fui de interagir com as pessoas nessa época, e amigos do sexo masculino, como toda criança têm, eu nunca tive.
Devido essa característica de sempre ficar com as meninas ( amigas da minha tia) me apelidaram aos 7 anos de idade de "gayzinho" e esse era o nome que a partir de então passei a ficar conhecido na escola da pequena vila no qual morava. Desse modo, o ambiente escolar nunca foi o lugar dos meus sonhos, nunca acordava pela manhã feliz por ir estudar, pois não gostava de ser ridicularizado na frente dos outros com apelidos feios que me faziam ter vergonha de mim mesmo. Com isso, cada vez mais fui crescendo isolado do contexto masculino, não joguei bola, nem pião, muito menos soltei pipa, pois não tinha com quem fazer, apenas brincava com a boneca da minha tia no quintal da casa da minha avó, lugar esse em quem me sentia outra pessoa num mundo de conto de fadas.
Até então desconhecia o porque das pessoas acharem estranho as minhas atitudes, e me acostumei com as risadas daqueles que me criticavam. Riam apenas de uma criança inocente que não entendia seu próprio mundo.